O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), em solidariedade aos servidores públicos estaduais, se manifestou em suas redes sociais contra a reforma da Previdência que tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Nesta terça-feira, 3 de julho, em reunião conjunta, as comissões da Alesc aprovaram o relatório final da Reforma da Previdência, de autoria do Governo do Estado de Santa Catarina. Das 73 emendas apresentadas pelos parlamentares e bancadas, 30 foram acatadas.
Com voto contrário dos deputados estaduais do Partido dos Trabalhadores ao relatório que acatou o substitutivo global encaminhado pelo governo de Carlos Moisés, as matérias podem ser votadas no plenário da Alesc já na tarde desta quarta-feira (4), quando os servidores públicos estaduais farão um dia de paralisação em defesa da aposentadoria. O deputado federal Pedro Uczai deve participar da mobilização em Florianópolis, em solidariedade aos servidores públicos estaduais que lutam contra a reforma da Previdência.
“Política pública com qualidade é servidor público valorizado: na saúde, na segurança, na educação, na agricultura, na infraestrutura (…) É o servidor público que serve o povo catarinense”, afirmou o deputado federal Pedro Uczai em vídeo publicado em suas redes. “Não à reforma da Previdência. Sim à mobilização para manter os direitos conquistados. Direito não se reduz: se mantém ou se amplia“, defendeu Uczai.
Sou contra a Reforma da Previdência dos servidores públicos estaduais que tramita na Alesc proposta pelo governador Carlos Moises. Direito de trabalhador se mantem ou se amplia. Não se deve tirar nem diminuir direito de trabalhador. #NãoReformaPrevidênciaSC pic.twitter.com/lhLsGRWLS2
— Pedro Uczai (@uczai) August 3, 2021
Emendas da Bancada do PT na Alesc
Conforme publicação no site do PT de Santa Catarina, a principal emenda apresentada pelos deputados da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembleia Legislativa à Reforma da Previdência estadual visa manter a isenção da alíquota de 14% aos segurados e pensionistas que ganham até o teto do INSS. A proposta não foi contemplada no substituto global enviado à Alesc pelo governo do Estado ao projeto de lei complementar (PLC) original e à PEC da Reforma da Previdência.
Desta forma, os deputados da bancada vão tentar reverter a decisão até a próxima quarta-feira (04), quando a reforma será votada em Plenário, e evitar que o percentual que atualmente é descontado do salário de quem ganha acima do teto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), de R$ 6.433,57, passe a incidir no vencimento de quem recebe a partir de um salário mínimo (R$ 1.100), atingindo a 74,99% dos aposentados e 77,08% dos pensionistas do Poder Executivo.
Os deputados entendem que a Reforma da Previdência é injusta e desumana, pois os aposentados e pensionistas estão há anos sem qualquer aumento salarial ou mesmo correção inflacionária, enquanto os preços continuam aumentando nos supermercados, nas farmácias e nos postos de gasolina.
O desconto de 14% nos salários, de uma hora para outra, fatalmente vai refletir no aumento do contingente de trabalhadores que terão sua renda rebaixada e gerar mais dificuldades para a manutenção de suas necessidades básicas e uma mínima qualidade de vida. Também vai acarretar a perda de poder aquisitivo e de consumo, retardando ainda mais a retomada do crescimento econômico. São servidores aposentados que ganham acima de 1.000 que vão ter que escolher o alimento que tirar da mesa.
Emendas a favor do servidor
Além desta emenda para manter os servidores inativos que ganham até o teto do INSS isentos de alíquota previdenciária, o Partido dos Trabalhadores apresentou 30 das 73 emendas parlamentares protocoladas na Alesc. Algumas foram parcialmente aceitas, como a da pensão por morte. A bancada propôs a ampliação da cota familiar de 50% (proposta pelo governo) para 70%. O governo acatou 60%, acrescido de cotas de 10 pontos percentuais por dependente, limitando a quatro, e manteve o impedimento da redistribuição em caso de faltar um dos dependentes.
No cálculo do benefício da aposentadoria, o governo garantiu que a média permanecerá sobre 80% dos maiores salários de contribuição de todo o período contributivo do servidor, para quem ingressar até 1º janeiro de 2022 e 100% para quem ingressar a partir desta data. Do valor obtido, a emenda apresentada pela bancada estipulava pelo menos 65% da média aritmética e o governo propôs 60% mais um ponto percentual para cada ano completo de contribuição, e não só depois de 20 anos, como na primeira proposta.
Sobre as regras de transição, a bancada defendeu que o pedágio fosse de 30% do tempo que em 1º de março de 2022 faltaria para atingir o tempo mínimo de contribuição de 30 anos, se mulher, e 35 se homem. O governo, no entanto, propôs 50%. O governo também aceitou que a regra de transição diminua em um ano a idade mínima para a aposentadoria para cada ano a mais de tempo de contribuição, opção que não existia na primeira proposta.




